7 de setembro de 2018

Vamos falar sobre os stories da Bruna Marquezine

Há uns dias, a giraça da Bruna Marquezine (aka namorada-do-neymar-junior), surpreendeu os seguidores com uma quantidade bastante considerável de stories na sua página de instagram onde, depois ler alguns comentários dos fãs, falou sobre assuntos bastante pertinentes e importantes. Pouco tempo depois as reações chegaram aos montes, com dezenas de youtubers/bloggers/atrizes e afins a partilhar os seus videos e a subscrever tudo aquilo que neles foi dito.

Para quem deixou escapar os ditos stories, eu passo a explicar: a Bruna mostrou, tirando prints, alguns comentários que têm sido feitos pelos fãs, em grande parte por mulheres, nas suas fotografias do instagram. "Estás tão magra", "assim tão magra ficas feia", "gostava mais de ti quando não eras tão magra", "precisas de te alimentar", "com essa magreza pareces doente" são alguns dos comentários que a Bruna partilhou e comentou no stories, tocando em vários pontos com os quais eu me identifico bastante.

Eu sempre fui magra. Quem me conhece desde sempre sabe-o! E, para além de ser magra, sou um pequeno pigmeu com 1 metro e 52 de altura, com mãozinhas e pezinhos de bebé. Duvido que haja alguém acima dos 10 anos que não consiga, apenas com uma mão, agarrar por completo o meu braço. Tenho 25 anos (quase 26) e muita boa gente nem 18 me dá. Eu sempre fui assim desde que me lembro de conviver comigo mesma. Durante toda a minha vida tive de lidar com os mesmos comentários ... "estás tão magrinha", "quando é que começas a engordar?", "tens de comer que bem precisas", e todos eles ditos por todo o tipo de pessoas, desde as mais próximas às que me viam pela primeira vez. Até uma médica, com a qual tive uma consulta por andar bastante mal do estômago, me mandou ao psicologo por achar que as minhas dores eram, na verdade, causadas por distúrbios alimentares e coisas do género. Ela tirou essa conclusão em 30 segundos, apenas por ver que era uma rapariga, na altura com 21 anos, que parecia ter 15.

Apesar de ser uma pessoa bastante positiva e confiante, também tive e tenho os meus momentos de fraqueza. Acreditem, tal como a Bruna disse, dizer a alguém "estás tão magro" é igual a dizer a alguém "estás tão gordo" ou "estás tão feio" ... é ofensivo, são palavras que magoam, que são absolutamente dispensáveis e que em nada ajudam o outro. É difícil quando encontras um amigo que não vês há imenso tempo ou és apresentada a alguém e, a primeira coisa que ouves, é um comentário sobre o teu corpo, seja ele de que maneira for. Muitos dizem que estão apenas a "dar a sua mais sincera opinião", outros que "é sem maldade", como se toda a gente tivesse aquela necessidade mesquinha de dar uma opinião que não foi pedida por ninguém. A verdade é que as palavras têm bastante poder e certos comentários podem ser absolutamente arrasadores para quem os está a ouvir. Se acham que aquela pessoa está demasiado magra ou demasiado gorda, ou seja aquilo que for que vocês achem, a vossa "opinião" não vai ajudar em nada, por muito "sincera" e "sem maldade" que seja. Só vai deixar a pessoa na merda, em luta consigo mesma. Porque é que isto é tão difícil de entender?

Outra coisa que me chateia imenso, e que a Bruna também comentou nos stories que fez, é o facto de as pessoas acharem que uma pessoa magra é uma pessoa que está doente ou que não gosta de comer, Absolutamente errado, e por mim posso falar que, se há coisa que não me falta é amor por comida e vontade de a devorar de meia em meia hora. No entanto, por muito que coma três vacas, dois bois e uma vitela ou duas, ou mesmo que encha o bucho com batidos cheios de proteína da prozis, o meu peso é capaz de subir para ali uma gramazita ou duas. Muitos dizem "és ruim, tens o demónio no corpo", eu digo apenas que cada corpo é um corpo e o meu funciona da sua maneira particular. Muita gente engorda apenas com o ar que respira. Eu emagreço com o ar que mando fora e ando aqui dois ou três meses numa luta diária para acrescentar 1kg ao meu peso, sendo que, se ficar doente e não poder comer normalmente durante um dia, sou bem capaz de perder uns 3 ou 4 kg. Vida de magra, querem o quê?

Agora querem saber o que é mais ridículo no meio deste "assunto polémico" todo? É que estamos em pleno século XXI, onde cada vez mais as mulheres se querem afirmar e igualar os seus direitos, querem mostrar o quanto poderosas e emancipadas somos e o quanto o papel da mulher evoluiu na sociedade, bla bla bla, pardais ao ninho. No entanto, andamos para aqui constantemente a rebaixarmo-nos umas às outras, a mandar comentáriozinhos maldosos para o ar ou nas redes sociais, a criticar tudo e mais alguma coisa que nos apareça à frente. Queremos e lutamos todas para ganhar o nosso papel na sociedade, no entanto somos as principais inimigas umas das outras. Irónico, não é?

Atenção que isto não um texto sobre mim, sobre como eu me sinto quando as pessoas me mandam estes comentários. Na verdade, este tipo de coisas sempre me passou ao lado, gosto imenso de mim exatamente como eu sou, mesmo depois de ver a minha barriga cheia de cicatrizes ou até mesmo quando estive doente e tive de ver o meu intestino a sair-me pela barriga. Aliás, como a própria Bruna fez questão de dizer, em curto e grosso modo, eu estou-me a "cagar" para esse tipo de "opiniões". O que aqui é importante fazer é consciencializar as pessoas que esse tipo de comentários são absolutamente desnecessários e, para muitas pessoas, completamente destrutivos. Afinal, qual é mesmo a necessidade de opinar sobre o aspeto físico do outro?



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