8 de dezembro de 2016

O meu carro tem personalidade própria

  


 Maior parte das pessoas às quais eu digo que o meu carro tem personalidade própria tende a não acreditar. Como poderia um carro, um objecto inanimado, composto por quatro rodas, um volante, montes de ferro e um motor ter uma personalidade sequer? Mas podem acreditar meus amigos ... o meu carro tem uma personalidade sim, e eu vou explicar porquê! 


Tirei a carta de condução em Setembro de 2011 e passados 2 dias já tinha o carro à porta. Desde os meus quinze que tudo o que mais queria era tirar a carta e aventurar-me nas estradas portuguesas, aliás, era um desejo tão forte que, mesmo estudando em Santarém e mesmo perdendo cerca de 3 horas por dia só em transportes, eu consegui tirar a carta em apenas 4 meses. Para mim ter logo um carro, assim do dia para a noite com a carta acabadinha de tirar foi como encontrar um envelope com um milhão de euros lá dentro. Entretanto cinco anos (e mais alguns trocos) se passaram e, apesar do número de acidentes ou de multas ser zero, o meu carro tem-me vindo a pregar algumas partidas, desde a falta de bateria, ao motor de arranque que decidiu pifar, ao pneu que decidiu furar em plena pedra da calçada ou ao tubo da gasolina que rasgou e lá fiquei eu apiada na estrada. Claro que tudo isto é um risco que toda a alma que tem um carro pode correr, e eu tenho a sorte de ter um 112 privado que se chama PAI para me aparar nestas situações (não pensaram que mudei o pneu do carro sozinha pois não?). A mais recente partida que o meu carro me decidiu pregar foi ontem à tarde, quando fui com a minha mãe às compras. Então não é que, depois de fazer as compras e de estar pronta para seguir para casa, o carro pura e simplesmente não pega? Assim, sem mais nem menos, como se de uma birra de crianças se tratasse. Tentei, tentei, tentei e tentei outra vez e nada. Como eram umas 16 horas, e o meu 112 particular estava a trabalhar, não tive outra opção: fechei o carro, peguei mas minhas coisas e lá fui apanhar o autocarro. Foi de cortar os pulsos. Primeiro porque não ando de autocarro há mais de 4 anos; segundo porque, como apenas saí de casa para dar boleia à minha mãe, tinha vestido o fato de treino mais piroso que tinha no armário; terceiro porque tive de levar com a conversa de dois sportinguistas o caminho todo a gozar com a derrota do Benfica contra o Nápoles no dia anterior (gozem lá agora seus badamecos!). Ninguém, mas NINGUÉM merece! 


O carro teve de passar a noite num bairro totalmente desconhecido, sozinho e abandonado (detesto detesto). Hoje de manhã lá fui com o meu pai ao local onde o deixei estacionado para vermos o que podia ser feito, se chamavamos o reboque ou se conseguiamos (o meu pai conseguia) resolver a situação ali. A primeira coisa que fizemos foi meter a chave na ignição e ... vóila: a porcaria do carro pega, como se nada fosse. Tudo normal: luzes normais, arranque do motor normal ... tudo normalíssimo, como se o facto de o carro não pegar no dia anterior fosse apenas um produto da minha imaginação. Claro que me deu para rir, primeiro porque fiquei aliviada por não ter de gastar dinheiro a consertar o que quer que fosse que estivesse avariado; segundo porque numa situação destas só podemos rir, não há mais nada que se possa fazer. Cheguei então à conclusão que sim ... o meu carro decidiu fazer uma birra e mandou-me de autocarro para casa, e como se isso não fosse castigo suficiente, tive de ir no autocarro acompanhada de dois sportinguistas a falar cobras e lagartos do Benfica ... haverá alguma coisa neste mundo pior que isto (claro que há, mas vamos fingir que não)? Já meti o meu próprio carro de castigo e decidi que em vez de o presentear este mês com tapetes novos, só o faço para o mês que vem. Agora digam-me: o meu carro tem ou não tem personalidade própria?! 


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