10 de dezembro de 2015

Os emplastros



Como sabem, na passada sexta-feira fui ver o Benfica vs Académica ao Estádio da Luz. Também sabem que, para mim, entrar naquele estádio é sempre tão maravilhoso como a primeira vez que lá fui. Mas há três coisas que, para além da incapacidade estúpida do Benfica para rematar á baliza, me irritam profundamente cada vez que lá vou. Passo a explicar:

1. Imaginem que acabaram de chegar ao estádio. Falta meia-hora para o jogo começar, logo a plateia ainda não está composta: há pessoas nos bares, lá fora, ou então pessoas que ainda nem sequer se encontram nas imediações do estádio. Então vocês pensam "que timing ideal para conseguir tirar uma boa fotografia com vista para o relvado, antes que apareça um rio de gente". Então tu pegas no teu telemóvel, chamas o teu namorado ou a tua amiga para te tirarem uma fotografia decente e nesse preciso momento surge uma multidão que, logo por azar, tem lugar exatamente no sítio onde estás a (tentar) posar para a câmara do telemóvel. O teu namorado ou a tua amiga ainda faz uma tentativa ou duas mas, quando vais ver como ficaram as fotografias, só consegues reparar nas 67849 mil cabeças que te rodeiam. Já ponderei entrar tipo 4 horas antes do jogo para conseguir tirar uma fotografia decente mas, infelizmente, o estádio apenas abre cerca de 1 a 2 horas antes dos jogos. Shit! 

2. Esta tem a ver com a minha capacidade de fazer sempre, mas sempre a mesma coisa por pura burrice. Há uns meses atrás fui ver um jogo do Benfica e, sem querer, levei o meu batom vermelho dentro do bolso. Fui logo apanhada pela segurança que, quando me apalpou e achou o batom no bolso, disse logo que não podia entrar com ele (como se um batom fosse uma mega arma de destruição maciça). Tive de andar uns 70 kilometros para trás, contra a maré de gente que estava a tentar entrar, para pode deixar o meu batom no sítio onde se guardam pertences. Pensei eu que tinha aprendido a lição até que, na sexta-feira, quando passei pelos primeiros seguranças (onde era apenas necessário apresentar o bilhete), meto as mãos nos bolsos do casaco e lá está o (mesmo) batom vermelho outra-vez (que entretanto pensei que tinha perdido). Toda eu suava por todos os lados, ao mesmo tempo que rezava para que não houvessem seguranças na entrada. MUITO FELIZMENTE não estavam e entrei sem qualquer problema, mas detesto esta minha faceta de cabeça no ar. Acho que desta vez não me preocupada em voltar para trás e mandava o batom para o lixo (nunca seria capaz!). 

3. Esta é a que me tira mesmo do sério. Primeiro perguntem-se porque há pessoas que gastam mais depressa 20 ou 30 euros num bilhete para ir ver um jogo de futebol do que noutra coisa (talvez mais importante) qualquer? Eu respondo: porque o futebol move mundos. Porque o futebol é, realmente, uma paixão. Porque o futebol não é apenas um bando de pessoas atrás de uma bola. E porque, principalmente, ir á bola representa uma quebra da rotina, o ponto alto depois de uma semana de trabalho. Mas as pessoas que dão este dinheiro e o outro para ir ver futebol fazem-no porque realmente querem VER futebol ... não porque querem ver rabos e cabeças. Sim, aquelas pessoas que decidem ir para os seus lugares tipo aos 20 minutos de jogo e que, enquanto descem as escadas em direção aos lugares, decidem parar umas 60834 vezes. Percebam pessoas: ao pararem no meio das escadas impedem todas as pessoas que ali estão sentadas de ver o jogo como deve ser e, provavelmente, por causa da vossa grande cabeça, perderam a jogada ou até o golo. Chegam atrasados? Muito bem ... então toca a sentar rápido que o resto do pessoal quer ver o jogo em paz e sossego, sff! 

E é isto. Sabe bem refilar de vez em quando. Mesmo que sejam coisas estúpidas e sem importância. 



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