17 de setembro de 2015

Vida de uma condutora portuguesa

Existem apenas três sítios no mundo onde passo muito facilmente do meu estado normal para um bicho do mato stressado até á ponta dos cabelos: no Estádio da Luz, na Primark e na estrada. Nos dois primeiros é facílimo adivinhar o porquê: benfiquista que se preze fica com os nervos em franja do primeiro ao último minuto de jogo, mesmo quando o Benfica decide fazer aqueles jogos completamente imaculados, com goleadas do outro mundo. Quanto à Primark ... falarei nisso num outro post para breve, mas é muitoo fácil de prever! Quero-vos dar o meu parecer sobre as minhas mais recentes aventuras como condutora portuguesa, que desfila o seu lindo Renault pelas estradas portuguesas, sempre cheias de outros condutores portugueses (e outros).

Daqui a 2 dias faço 4 anos de carta. Aos olhos da lei, passados os 3 anos, fiz a passagem de 'maçarica' e 'perigo na estrada' para 'condutora experiente'. A verdade é que sempre me senti bastante apta a conduzir, fosse em que condição fosse.
Pessoalmente acho-me bastante
desenrascada em qualquer situação que me possa aparecer á frente na estrada. Claro que se forem tipos de situações como sobre-aquecimento do carro, falta de bateria ou um furo ... eu faço o favor de partilhar a situação com o meu pai, que prontamente me vai socorrer. Fora isto, seja trânsito, engarrafamentos ou outras situações adversas ao normal funcionamento das vias, a Vanda domina. Estacionamentos, o mesmo! Trânsito, tudo bem. Só não me peçam duas coisas: para ter paciência para os condutores das escolas de condução e para os ditos condutores 'atrasados mentais'

Não imaginam a frustração que me dá quando saio da rotunda onde estaciono o carro, meto a minha música, meto-te a jeito para estar confortável a conduzir e, quando sinto que está tudo nos conformes e me ponho a acelerar um pouco para iniciar o meu percurso, lá vem ele: o carro da escola de condução. E é sempre no mesmo local: antes de um entroncamento, com pouca visibilidade. E um entroncamento (ainda para mais com pouca visibilidade) é só o pior sitio para te deparares com um carro da escola de condução à tua frente porque eles, simplesmente, não andam. Olham umas 5 ou 6 vezes para os lados antes de arrancarem e quando decidem carregar no acelerador aparecem uns 50 carros e isso implica ter de esperar mais 10 minutos. Depois surge uma nova oportunidade e eles pimba: deixam o carro ir abaixo, e assim sucessivamente até o instrutor perceber que o aluno está, de facto, a empatar o trânsito. Claro que conscientemente sei que não tenho como reclamar porque são pessoas que estão a aprender e blá blá blá (já sei o discurso todo) ... mas reclamo na mesma porque a coisa mais frustante no dia de um condutor é andar atrás de um carro que anda a 10km/h e que nem sequer se desvia para te deixar passar. Já para não mencionar as altas curvas que eles dão, que quase que passam pelo Algarve para dar uma curva! Mas com estes posso eu bem. Com os outros ... isso é que é pior.

Não suporto aqueles condutores chicos espertos, com a mania que todos os outros carros têm o dever de dar prioridade em todas as situações e mais algumas. Detesto. E não pensem sequer que, lá por eu ter cara de miúda e de conduzir uma miniatura de carro que me deixo afetar. Jamais. Eu pessoalmente adoro aquelas situações em que vou a andar na minha, a uma velocidade até razoável, e aparece um carro atrás que se cola a mim para me pressionar. Depois de ver que não aqueço nem arrefeço, lá vêm os sinais de luzes e aí a Vanda decide que quer andar a 50 km/h e respeitar à risca o código da estrada. Houve inclusive uma situação em que, no caminho para casa do meu namorado, apanho atrás de mim uma carrinha Ford S-Max que vinha, à vontade, a 120 km/h numa zona residencial. Quando me apanha à frente e vê que não cedo à pressão resolve-me ultrapassar 'á cão' e lá vai ele prego a fundo ... quando chego mais à frente a uma rotunda lá estava ele espetado contra a traseira de uma carrinha de mercadorias. E por falar em rotundas ... qual foi a parte que maior parte dos condutores ainda não percebeu que não se pode fazer a rotunda toda pela direita? Não sei, eu não acho esta regra nada complicada, aliás, não há nada mais básico que isto. Mas não ... fazem disto um bicho de sete cabeças e pumba: acidentes a toda a hora nas rotundas mais movimentadas de Lisboa, em pela hora de ponta. Mas se o problema fossem só os outros condutores a coisa ainda se dava, o pior é quando se metem peões ao barulho.

Enerva-me profundamente quando estou a andar numa rua e vejo, à beira da estrada, um peão que quer passar para o outro lado da rua. Se tiver passadeira, eu faço o meu papel: paro para o peão passar. Se não tiver passadeira, ele que espere que eu passe que a estrada é para os carros. Estas são as minhas regras. Mas eis que há peões que decidem passar no meio da estrada quando eu já estou praticamente em cima deles. É certinho! "Vem aí um carro? Pshiiit, ele que faça uma travagem brusca que eu não posso esperar mais 2 segundos para passar a estrada sem correr o risco de ser atropelada". E o pior é que se eu, como condutora, atropelar alguém a culpa é minha! Mesmo que esteja a cumprir com as velocidades do código da estrada. E mesmo que legalmente a culpa não seja minha, eu vou-me sempre sentir culpada porque ATROPELEI uma pessoa. Mas a culpa não foi minha que ia na minha vidinha, provavelmente a ouvir músicas de chunguitos, a uma velocidade moderada. Claro que quando envolve a passadeira, não há volta a dar: lá eu paro, mesmo contrariada, mas paro. Claro que, nos dias em que não estou lá com muita paciência (que são quase todos), estar ali parada á espera que passem umas 40 pessoas e, quando vou a arrancar, aparecem-me mais 40 e eu tenho de ali ficar ... Deus me Livre! E então quando os ditos peões decidem andar no meio da estrada como se nada fosse? Estou eu ali a tentar passar mas não posso porque alguém decidiu que andar na estrada é que é bom, mesmo com kilometros e kilometros de passeio na rua, 'pshiiiiit quero andar na estrada'. Há sempre ali aquela vontadezinha de apitar e assustar um pouco o pessoal mas ... maior parte das vezes (nem todas) acabo sempre por contar até 10 e ir buscar uma réstia de paciência ao meu ser interior e esperar. Odeio esperar.

Se estão a tirar a carta preparem-se para treinarem a vossa paciência: vão precisar de toneladas e toneladas dela. Andar na estrada maior parte das vezes é frustante, principalmente quando deparamos com pessoas menos aptas e desenrascadas que nós (ou com aquelas que se acham demasiado desenrascadas). Por isso abram a mente para mandarem um grito ou dois quando estiverem a conduzir, mesmo que seja só para deitar cá para fora toda a frustração que, de certeza, vos vai invadir. E por favor ... se vão parar com os 4 piscas não o façam num sítio onde há um lugar de estacionamento vago que pode ser utilizado por uma pessoa que realmente quer estacionar. É só ridículo taparem o lugar para estarem ali em 4 piscas durante 10/15 minutos. Ou estacionam no lugar vago ou metem o carro de modo a que outra pessoa possa utilizar esse lugar. Eu agradeço!


Notas:

1. Obviamente não sou a rainha das conduções perfeitas, como condutora também cometo alguns erros na estrada e, como é óbvio, não cumpro o código da estrada à risca. 

2. Uma vez que já sei mexer consideravelmente no snapchat, deixo-vos aqui o meu caso queiram adicionar. Só vos aviso que nos dias de jogo do Benfica aquele snapchat vira claque. Só estou a avisar.  O meu snapchat é vandinhapinto 

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