11 de setembro de 2015

Recordar os meus tempos no Futsal

Há uns dias partilhei no meu facebook pessoal o quanto sinto saudades dos meus tempos como jogadora de futsal. Hoje apetece-me falar mais um pouco sobre isso, pois foram tempos maravilhosos, sem dúvida dos melhores de toda a minha vida, e sinto uma enorme nostalgia sobre o assunto. 





A vida era fácil ... demasiado fácil. A minha infância foi passada na rua com os meus amigos (todos rapazes, claro) e uma bola, o que acabou por criar um 'bichinho' viciado em futebol dentro de mim. Quando entrei para a minha primeira equipa de futsal não sabia muito bem como tudo se processava, mas foi apenas preciso participar no primeiro jogo para achar todo aquele 'ritual' a melhor coisa do mundo. Achava fenomenal chegar duas horas antes da hora do jogo, preparar-me mentalmente, equipar-me no balneário, meter a fita da nike na cabeça e ir aquecer. O aquecimento era sempre a minha oportunidade favorita para chamar a atenção do público. Fazia questão de acertar com a bola na trave ou nos postes da baliza a fim de criar impacto em quem quer que me estivesse a observar. Cada vez que ouvia alguém dizer 'aquela miúda é jogadora' ficava com a sensação de missão cumprida. Adorava chamar a atenção, e a verdade é que para mim era a coisa mais fácil do mundo, bastava-me fazer o que sabia fazer e as coisas corriam sempre pelo melhor. Então quando consegui ficar com o número 7 fixo na minha camisola foi a cereja no topo do bolo. Isso para mim era super importante, o número que tinha nas costas. Lembro-me que uma vez, num dos torneio da Taça Coca-Cola em que participei (acho que, ao todo, foram 3), deram a camisola com o número 11 e fiquei amuada durante semanas, e o jogo nem sequer me correu bem. Hoje olho para este episódio e acho uma infantilidade mas acreditem ... na altura este tipo de birra fazia todo o sentido. O número era importante, era como se determinasse que tipo de jogadora eu era e, na minha cabeça, não fazia qualquer sentido ser pivô e jogar com o número 3 ou 4.

Também gostava da minha mini fama. Não sei bem como, mas chegou uma altura em que percebi que bastante gente ligada ao futebol escolar e ao campeonato de futsal da minha freguesia (Marvila) me conhecia e falava de mim como a 'miúda jogadora'. Eu na altura achava isso um máximo, quem não gostava de ter 5 minutos de fama com 15 anos? Eu achava um máximo que miúdos mais velhos e até da minha idade me pedissem autógrafos, mesmo sabendo que era só para a brincadeira, eu gostava desse tipo de coisas. Até cheguei a aparecer no jornal de Marvila com a taça de melhor marcadora do torneio (e melhor jogadora também). Mas o melhor era mesmo os 40 minutos de jogo. A sensação de adrenalina dentro do meu corpo, a ansiedade de marcar um golo e de ser a melhor. Era sempre isso que eu queria. Adorava ter o público todo de olhos postos em mim, incluindo os meus pais e amigos próximos. Não sei bem como, mas muita gente que nunca tinha visto na vida sabia o meu nome e cada vez que tinha a bola os pés só ouvia coisas do tipo "vai Vanda marca mais um", ou "vai Vandinha leva a bola no pé", "lá vai ela, esta miúda joga mesmo muito". Não havia melhor maneira de encher o ego.

Se havia coisa que me enervava solenemente era o facto de ser baixinha e magrinha e a equipa adversária meter sempre miúdas com o dobro da minha estrutura atrás de mim, a cobrir-me e empurrarem-me mas, já não sei bem como, safava-me sempre. E o segredo era esse: eu fazia as coisas sem saber bem como as fazia, simplesmente ... fazia. Era automático. Não precisava de pensar muito ou de pedir autorização às pernas para correr. Houve até uma altura em que queria por tudo ultrapassar os 200 toques seguidos numa bola. Era o meu record e eu passava horas e horas a tentar ultrapassar os duzentos. Não ganhava nada com isso a não ser puder dizer que dava mais de 200 toques numa bola caso alguém, algum dia, me fosse perguntar tal coisa. Tantas horas a dar toques numa bola resultaram em 510 toques e desde então nunca mais tentei ultrapassar este número (não imaginam a dor nas pernas). Eu fazia tudo isto com um gosto inexplicável.

E sem me querer gabar ... mas, apesar de magrinha, eu tinha um excelente remate.
Adorava calçar sempre 2/3 pares de meias para o pé ficar bem apertado e o remate sair perfeito. Eu era exigente comigo mesma, e se calhar é por isso que todas estas recordações são importantes para mim. Fazem-me lembrar que quando quero muito uma coisa eu consigo. Eu consegui ser precisamente quem eu quis ser ali, naquele momento, naquele lugar. E, para além de todas as coisas excelentes que fazia com o meu ego, o Futsal também me levou a vários sítios que nunca irei esquecer, como por exemplo, ao pavilhão do Benfica onde pudemos tirar fotografias com a equipa de futsal masculina (sim, com o RICARDINHO); ao pavilhão da Quinta dos Lombos (equipa bem conhecida no mundo do futsal feminino); á cidade do Porto duas vezes, incluindo uma visita ao Estádio do Dragão, e ao Algarve. Tudo isto para jogar contra equipas de futsal feminino fora de Lisboa.

Não mudava nem uma vírgula na minha pequena viagem pelo futsal. Ainda no outro dia, quando estava a ajudar o meu irmão a arrumar a prateleira do quarto dele, encontrei duas taças minhas de melhor jogadora do torneiro (que foi na minha escola secundária) e melhor marcadora (já não me lembro deste!). Senti tantas saudades que voltava a repetir tudo de novo se pudesse. Atualmente aproximo-me mais do estatuto de 'zero à esquerda' mas ainda lhe dou uns toques. Restam-me estas recordações (e outras) que guardo com o maior carinho do mundo. Afinal ... não poderia ter tido sido mais feliz. 







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