23 de agosto de 2015

Detesto ficar sozinha em casa !




Eu, com os meus 22 anos de vida, já tive imensas oportunidades de meter o meu espírito aventureiro à prova e maior parte das vezes fui bem sucedida. Lembro-me, por exemplo, da viagem ao Algarve com um grupo de amigos no meu carro uns 3 meses depois de ter tirado a carta; ou quando decidi, de um momento para o outro, ir para Madrid com uma amiga; ou até mesmo quando, aos 17 anos, ia e vinha de Santarém todos os dias para ir para a faculdade. Assim, há primeira vista, parecem coisas banais mas para mim foram verdadeiras aventuras, aventuras essas
que não se realizaram de ânimo leve: ou era porque, com 3 meses de carta, não tinha a confiança necessária para fazer uma viagem tão grande, ou porque nunca tinha andado de avião nem nunca tinha saído do país e também porque Santarém parecia-me o fim do mundo e ir para a escola ás 5 da manhã era a pior coisa do mundo. Mas acreditem ... nenhuma destas experiências foi pior que passar uma semana completamente sozinha em casa

Não, não estou a gozar. Eu nunca (e passo a frisar a palavra nunca) fico sozinha em casa. Nunca mesmo. Numa família de 5 elementos é quase impossível ter a casa unica e exclusivamente para mim, nem mesmo durante 3 horas seguidas, quanto mais uma semana inteira. Aconteceu que os meus pais foram de férias para a terra dos meus avós e eu, por questões de trabalho, tive de cá ficar sozinha. Tinha opções, como por exemplo ir para casa da minha avó paterna, mas uma miúda de 22 anos está mais que habilitada a tomar conta do seu próprio nariz

Durante o dia era canja! Era televisão, playstation, tablet, computador ... tudo só para mim. No primeiro dia da semana fui às compras ao Continente de Telheiras e abasteci o frigorífico e a despensa com os melhores manjares que uma miúda de 22 anos pode ter quando está sozinha em casa. Aproveitei para cozinhar e meter em prática uma ou outra receita e, ás 18:30 ia trabalhar. O pior era quando dava o dia de trabalho como terminado. Era um desafio chegar a casa, abrir a porta e ver a casa toda às escuras. Sabem com que frequência isso aconteceu na minha vida? Nunca! Não tinha eu outro remédio senão correr até ao hall de entrada e acender as luzes da sala e da cozinha em simultâneo e depois sim fechava a porta e trancava-a a 7 chaves. De seguida acendia a televisão e metia o volume quase no máximo para poder ouvir o barulho de fundo enquanto fazia o jantar. Apagar as luzes estava completamente fora de questão, excepto quando ia dormir, o que era quae um tormento. Começava por acender as luzes do quarto e do wc antes de apagar as da sala e da cozinha. Quando chegava ao quarto certificava-me sempre que não estava alguém escondido no armário ou que a janela estava trancada e os estores completamente fechados. Quando me deitava e apagava as luzes conseguia ouvir até os meus vizinhos dos andares mais acima a andarem de um lado para o outro. O meu próprio vizinho de cima fazia questão de me torturar: abria os estores, fechava os estores, acendia a luz, apagava a luz, andava pela casa, voltava ao quarto, abria os estores, fechava os estores, arrastava cadeiras, mandava pesos para o chão, abria os estores, fechava os estores ... e até eu mesma conseguir adormecer era um castigo. Curioso como só ouvi tudo isto nesta semana de solidão, até porque, normalmente, tudo o que ouço é o ressonar dos meus irmãos e, comparado com a barulheira que o vizinho faz, é música para os meus ouvidos

Felizmente os meus pais voltaram ontem e com eles veio o barulho, a agitação e a companhia. Podem achar ridículo uma rapariga de 22 ter tantos receios quando está sozinha em casa mas convido-vos a experimentar viverem num bairro social cheio de pessoas malucas, num rés do chão super baixinho e com casas a serem frequentemente assaltadas. E depois juntem isto tudo ao facto de eu não estar nada habituada a estar sozinha, seja em que circunstância for. Só para terem uma pequena noção, houve um dia em que cheguei do trabalho e simplesmente toquei à campainha e esperei cerca de 5 minutos que alguém me abrisse a porta. Só me lembrei que estava sozinha e que tinha as chaves de casa comigo quando, mentalmente, me começava a perguntar porque ninguém me abria a porta

Muito resumidamente: sobrevivi. E caso tenha, futuramente de ficar sozinha mais vezes, sobreviverei ... mas é um facto: detesto estar sozinha! 


2 comentários:

  1. Normalmente, é para este tipo de situações que existem namorados e namoradas, mas eu não sou de intrigas ahahah.

    Mas sim, eu também fiquei sozinho durante uma semana, e desculpa que te diga, não tive nenhum desses problemas! Mas a bem da verdade, eu mal passava tempo em casa, o que poderia contar como um factor para tal. Mas digamos que a tua paranóia está muito além de qualquer outra coisa que eu tenha ouvido!!

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  2. Colega ...
    Talvez não tiveste nenhum destes problemas porque deves viver num bairro de Sesimbra (zona chique) super calmo, daqueles dignos de capa de revista. E muito provavelmente tens mais experiência nestas andanças de 'ficar sozinho em casa' que eu que nunca tenho essa oportunidade. E verdade seja dita: se me aparecesse um ladrão cá em casa não tinha a mínima hipótese de me defender, quanto muito podia-me esconder em qualquer canto :P

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